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CAPÍTULO 1. A BÍBLIA – UM DOCUMENTO HISTÓRICO X PALAVRA DE DEUS


Sabemos que a Bíblia é a Palavra de Deus e que foi escrita por inspiração divina. Mas não deixa de ser um documento histórico. Retrata desde a origem do homem até ano 100 d.C. Podemos dizer que ela é também a expressão de um pensamento, de uma época.
Na verdade, não é um Livro, mas um conjunto de sessenta e seis livros, escritos por diversos autores em diversas ocasiões e datas. Todos israelitas ou judeus, com exceção de Lucas o médico grego.
Se compararmos a Bíblia com a literatura da mesma época, temos que ver o que ela acrescenta de inovador, como ela coloca a mulher. Onde ela quebra os padrões da época.

A MULHER NA LITERATURA ANTIGA

A mulher vai aparecer na literatura mundial em alguns livros da Suméria, do Egito e na Mitologia Grega na figura de uma deusa ou como sacerdotisa, uma espécie de bruxa ou como uma prostituta cultual.
Nos Textos da Pirâmide, que um dos livros mais antigos do mundo, aparece reis e rainhas.
Mulheres comuns, geralmente, não são citadas.

E A BÍBLIA

A Bíblia Sagrada é um dos livros mais antigos do mundo. O livro mais antigo é o Livro de Jó, certamente escrito por Moisés.
Se nós formos compararmos a Bíblia com o pensamento da época, perceberemos que trata a mulher de uma forma bem diferente das demais literaturas.
O que ela está quebrando os padrões, o que ela está quebrando o senso comum da época.
Acontece que quando a gente olha para a Bíblia em comparação ao pensamento do mesmo período, iremos perceber a forma como ela trata a mulher, uma forma bem diferente do que se pensava na época.
Quer dizer, a Bíblia não é absolutamente isenta em relação ao assunto, ela não apenas reproduz o pensamento da sua época, ela traz um pensamento diferente.

A BÍBLIA COMO IDEAL DIVINO

Sim, ela trata a relação do homem com Deus, como um ideal divino, virtudes que são universais e que vão além da cultura, são os princípios de Deus que não tem tempo nem época, que vão além do contexto específico.
Por outro lado, a Bíblia fala sobre esses conceitos, essas virtudes, sobre esses princípios através da história, que são histórias de um contexto local, específico, cultural.
Portanto, o difícil é conseguirmos separar o que é simplesmente a reprodução daquilo que é cultural, específico daquele período, daquela situação, de um conceito que ultrapassa todo o período, todas as culturas.
Mas é aí que está a complicação. Não podemos de modo algum generalizar as coisas de Deus.  Temos que ter prudência e separar o que é um princípio de Deus e o que é uma concessão que foi escrito para determinado contexto. Para ilustrar essa situação, tomemos como exemplo o maior princípio de Deus, que se encontra bem no início da Bíblia, que podemos chamá-lo de Princípio do Éden.

JESUS E O DIVÓRCIO

O Divórcio é uma questão bem complicada, porque entrou, penetrou na Bíblia, não como Princípio de Deus, mas como uma concessão.
Toda vez que Jesus referiu-se ao divórcio, fez referência ao Éden e justificou o Divórcio pela dureza do coração do homem.
A questão do divórcio, além do seu valor intrínseco, revestia-se de especial importância para os fariseus que vieram provar a Jesus com um assunto que os dividia, através da influência de dois rabis, Hilel e Shammai.
Os seguidores de Hilel, permitiam ao homem servir-se de qualquer pretexto para o divórcio e os de Shammai, afirmavam que só se podia admitir o divórcio em caso de adultério.
Segundo Russell P. Shedd, em seu comentário a respeito dessa passagem, deixou bem claro que “os judeus, assim como os demais orientais daquela época, tinham um conceito errôneo a respeito das mulheres, quase compradas e até consideradas como propriedade do esposo”.


RESPOSTA DE JESUS DIANTE DA INDAGAÇÃO DOS FARISEUS

Jesus, ao responder, superou à expectativa dos rabinos. Ele foi para um caminho bem diferente da qual eles estavam imaginando. Disse que de fato a Lei prevê o divórcio, mas que se deu por causa da dureza do coração do homem.
Ou seja, que isso não é o ideal de Deus, não faz parte do plano divino.
Disse Jesus: “Moisés permitiu por causa da dureza dos vossos corações”, mas não era assim desde o princípio e aí Jesus fala do Éden, da criação e como o homem e a mulher se tornaram uma só carne e assim por diante.
Então a questão aqui é o seguinte: existe na Bíblia a hipótese do divórcio. Os fariseus estão falando, está na Bíblia, está correto, não está?
Jesus diz: NÃO, não está, porque aquilo que está na Bíblia, Deus permitiu por causa da dureza do coração de vocês, mas esse não era o ideal divino, ou seja, vocês estão num contexto em que Deus permitiu, mas não é esse o plano divino.
Mesmo estando na Bíblia, foge do princípio de Deus.
E onde está o plano divino? No princípio. “Não foi assim desde o princípio”.
Como disse Rolney Tavares no seu vídeo:  “O ideal da Bíblia não é o deserto, não é a Lei de Moisés, o ideal da Bíblia é o Éden”.
É a Lei Maior, o Princípio Maior de Deus. Mesmo estando no Antigo Testamento, esse princípio foi trazido para o Novo Testamento através do próprio Senhor Jesus.
Vejamos os textos de Jesus referindo-se ao divórcio. Será que de fato, Ele aprovou o divórcio, será que estava no coração de Jesus essa prerrogativa?
Ou será que esses fariseus queriam apenas testar Jesus para ver se Ele caía em alguma contradição e assim desse motivo para ser julgado e condenado por blasfêmia?
Eis o texto com grifos nossos:


3 Alguns fariseus aproximaram-se dele para pô-lo à prova. E perguntaram-lhe: "É permitido ao homem divorciar-se de sua mulher por qualquer motivo? "

Ele respondeu: 

5 e disse: ‘Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’?
6 Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe".

7 Perguntaram eles: "Então, por que Moisés mandou dar uma certidão de divórcio à mulher e mandá-la embora?".

8 Jesus respondeu: "Moisés lhes permitiu divorciar-se de suas mulheres por causa da dureza de coração de vocês. Mas não foi assim desde o princípio.
9 Eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual(pornéia), e se casar com outra mulher, estará cometendo adultério".

Os discípulos lhe disseram:

Veja que Jesus não está permitindo o Divórcio, mas está dizendo que “foi dito”, Moisés e não Ele e continua:  “Agora eu digo que aquele que o fizer, fará dela uma adúltera. E que o responsável por isso é o marido. E quem se casar com ela é um adúltero”.


4"Vocês não leram que, no princípio, o Criador ‘os fez homem e mulher’


10"Se esta é a situação entre o homem e sua mulher, é melhor não casar". Jesus respondeu:

11"Nem todos têm condições de aceitar esta palavra; somente aqueles a quem isso é dado.

Só para esclarecer que Imoralidade sexual não é adultério, pois este era punido com a pena de morte, para ambos, tanto para o adúltero e a adúltera.
Quando se fala em divórcio ou repúdio, trata-se da mesma situação.
Aparentemente, tem-se a impressão que Jesus tenha concordado com o divórcio, mas Ele desdiz ao se referir ao Éden e depois concluí sua resposta no verso 11:

11"Nem todos têm condições de aceitar esta palavra; somente aqueles a quem isso é dado.

Outro texto de Jesus, agora no Sermão do Monte:
"Foi dito: 'Aquele que se divorciar de sua mulher deverá dar-lhe certidão de divórcio'. Mas eu digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, faz que ela se torne adúltera, e quem se casar com a mulher divorciada estará cometendo adultério.
Portanto, Ele atribui ao marido a responsabilidade de tornar a mulher uma adúltera.
Aqui vemos a situação da mulher em três estágios: casada, divorciada e adúltera. Caso viesse a se casar com a mulher divorciada, seria um adúltero e ela também.
Então percebemos que Jesus também não aprova o recasamento. O mesmo ficou registrado no Evangelho, segundo Marcos:
2 Alguns fariseus aproximaram-se dele para pô-lo à prova, perguntando: "É permitido ao homem divorciar-se de sua mulher?"
3"O que Moisés ordenou a vocês?", perguntou ele.
4 Eles disseram: "Moisés permitiu que o homem lhe desse uma certidão de divórcio e a mandasse embora".
5Respondeu Jesus: "Moisés escreveu essa lei por causa da dureza de coração de vocês.
6 Mas no princípio da criação Deus 'os fez homem e mulher'.
7 'Por esta razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher,
8 e os dois se tornarão uma só carne'. Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. 9 Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe".
10 Quando estava em casa novamente, os discípulos interrogaram Jesus sobre o mesmo assunto.
11 Ele respondeu: "Todo aquele que se divorciar de sua mulher e se casar com outra mulher, estará cometendo adultério contra ela.
12 E, se ela se divorciar de seu marido e se casar com outro homem, estará cometendo adultério".

Lucas 16:18

"Quem se divorciar de sua mulher e se casar com outra mulher estará cometendo adultério, e o homem que se casar com uma mulher divorciada estará cometendo adultério”.

Mais uma vez, Jesus desaprova um novo casamento. Diz que se trata de adultério.

DIVÓRCIO NÃO É PADRÃO DE DEUS

Então podemos entender que o Divórcio está na Bíblia, mas não é plano de Deus, não é o ideal de Deus. É algo fora do padrão de Deus. Qualquer pessoa pode escolher esse caminho, mas saiba que será bem difícil percorrê-lo, pois está longe do projeto de Deus para a vida de qualquer pessoa.

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