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CAPÍTULO 21 – MULHER PODE SER PASTORA


Agora vem a pergunta que não quer calar. Mulher pode ser pastora?

- Pode fazer parte da liderança de uma Igreja?
- Mulher pode pilotar avião?
- Mulher pode ser astronauta?
- Mulher pode ser Presidente da República, Juiz ou Magistrado?
- Você entraria num avião sendo que o piloto é uma mulher?
- E se fosse uma nave espacial, iria até Marte, sendo que a Nave Espacial é pilotada por uma mulher?
Você vai me responder, se ela tiver competência, não vejo problema. Se ela estiver habilitada, não há problema. Se estiver apta, sem problemas.
Mas no fundo, o comando de uma mulher pode trazer insegurança, mais por questão cultural do que outra coisa.
Estamos acostumados a entrar num avião e vermos a figura masculina com um quepe na cabeça com as insígnias da empresa aérea.
Já nos habituamos durante o voo, a ouvir a voz do Comandante transmitir as orientações de praxe para o bom andamento da viagem.
O que quero dizer é que a resposta está em nós mesmos e de acordo com a nossa cultura.
A Cultura é algo que vai muito mais além do que a Palavra de Deus. Fala mais alto que qualquer outra coisa. Ela cega todo e qualquer entendimento. Chegando a ultrapassar os princípios de Deus, por mais crentes que sejamos.

NO ORIENTE MÉDIO

Porque no Oriente Médio a mulher é tão desrespeitada, não é humanizada e não passa de uma coisa que pertence ao marido?
Interessante notar que onde o Cristianismo penetrou, nos países que se dizem cristãos, são os países em que a mulher é tratada com mais humanidade e com certo respeito. 

VOTO FEMININO

Aqui no Brasil, até 1932, a mulher nem era contada como cidadã. Não podia nem ao menos votar. Só o fazia, com o consentimento de seu marido. Mas foi a partir de 1934, essa limitação foi abolida.
Em 1946, a obrigatoriedade do voto passou às mulheres.
O Voto sempre foi um direito exclusivo dos homens e homens ricos.

NA FINLÂNDIA

O Sufrágio, que é o direito de votar, passou para as mulheres em 1906.

NOS EUA, em 1920.

NA ÁFRICA DO SUL, em 1993.

NA ARÁBIA SAUDITA, em 2011

O direito ao voto é que passou a trazer a mulher uma certa dignidade e a sensação de que era uma pessoa e não uma coisa usada para o trabalho escravo do lar.

ANDROCENTRISMO E HUMANISMO X CRISTIANISMO

Essa teoria que o homem é o centro de tudo, veio principalmente da Grécia e Roma. Depois surgir o Humanismo. Por isso que na época de Jesus, a mulher não tinha status de esposa do marido, mas de escrava.
O humanismo foi um movimento intelectual iniciado na Itália no século XIV com o Renascimento e difundido pela Europa, rompendo com a forte influência da Igreja e do pensamento religioso da Idade Média. O teocentrismo (Deus como centro de tudo) cede lugar ao antropocentrismo, passando o homem a ser o centro de interesse.
O Homem sempre foi o centro de tudo, tudo mesmo. Toda cultura foi dominada pelos homens. Antigamente, aqui no Brasil, só os homens sabiam ler e escrever.
As mulheres passaram a frequentar sala de aula a partir do século 20.
Responda-me por favor, você se lembra se a senhora sua avó sabia ler? Mas com certeza seu avô sabia. Muito difícil ver um caso em que o Vovô não sabia e a Vovó era alfabetizada.

 “PASSARÁ O CÉU E A TERRA, MAS AS MINHAS PALAVRAS JAMAIS PASSARÃO

Pois passaram por cima das Palavras de Jesus quando Ele mesmo introduziu no seu diálogo o Princípio da Criação e Paulo também citou em todas as passagens polêmicas que diz respeito às mulheres.

E SERÃO OS DOIS UMA SÓ CARNE
DEUS FEZ O HOMEM E A MULHER PARA SER UM SÓ E PARA VIVEREM AGARRADOS, UNIDOS

Um só implica viver em unidade, no mesmo patamar, com os mesmos direitos e obrigações.
Mas como estamos vivendo longe do ideal de Deus, a mulher vem carregando um fardo enorme, tudo sobre suas costas, enquanto que cabe ao homem apenas exigir e mandar. E isso acontece até mesmo em lares cristãos, pois ele acha que é esse o padrão de Deus, ele tem aprendido assim e, por conseguinte, ensina assim.
É raro vermos um casal unido em Cristo, ou seja, quando os dois são tratados igualmente por eles mesmos. Vemos que esse é um casal abençoado e a Igreja se alegra com isso.

DIVÓRCIO E JUGO DESIGUAL

Muitos divórcios ocorrem entre os cristãos por falta de ensino do Padrão de Deus.
É lamentável vermos o quanto a mulher abre mão de tudo para satisfazer o ego masculino, pois elas sempre são reféns de seus maridos, ainda mais no caso de não serem provedoras do lar.
Quando isso acontece, ela está totalmente em desvantagem com o marido, o que o faz um ser autoritário e superior.

Então para respondermos à pergunta inicial, também temos que considerar que algumas questões como:

EXISTE DUAS ESPÉCIES DE MULHER DENTRO DA NOSSA CONCEPÇÃO
CONCEPÇÃO HUMANISTA

- A mulher deve submissão ao homem;
- A mulher não tem vontade própria;
- Nasceu para servir o marido, mesmo sendo provedora do lar.
- O Marido manda e ela obedece cegamente.
- O homem é o centro de tudo.

PADRÃO DE DEUS

- Deus fez o homem e a mulher iguais.
- Deus deu a ambos o domínio da terra.
- Deus os fez para viverem unidos no mesmo corpo de Cristo.
- Nem o homem, nem a mulher é o centro, mas Cristo.

HIERARQUIA NO LAR

Não há o que se falar em hierarquia no Lar. Todos devem se respeitar, amar e honrar uns aos outros e acima de tudo, sujeitar-se uns aos outros. Lembre-se que seus filhos, os quais você cuida com todo carinho, amanhã são eles que irão cuidar de você.
No Cristianismo não há hierarquia, Cristo é a autoridade e o centro de tudo.

O PRINCÍPIO POR TRÁS DA NORMA E NÃO A NORMA ACIMA DO PRINCÍPIO

Observe que todas as passagens que tratamos as quais se refere a mulher, estão completamente distorcidas e seu uso é de forma isolada. Pega-se apenas um versículo e coloca-se como um Princípio de Deus.
Um princípio jamais pode contestar outro. Isso é uma incoerência e Deus é perfeito, não é incoerente.
 
MAS PORQUE TODO ESSE TEMPO TEMOS APRENDIDO ERRADO

Você sabia que toda mentira contada três vezes por três pessoas diferentes torna-se verdade?
E essa foi uma grande mentira. Dizer que a mulher é inferior ao homem ou que ela não pode desempenhar isso ou aquela função, apenas pelo fato de ser mulher, não é verdade.
Ela pode não desempenhar essa ou aquela função por falta de aptidão, desconhecimento, ignorância, mas não pelo simples fato de ter nascido mulher, isso é uma aberração.
Um homem jamais pode se valer da condição de ser homem para oprimir uma mulher, ou desvalorizá-la.
O último lugar no mundo em que a mulher poderia sofrer alguma discriminação seria dentro da Igreja de Cristo, mas como vivemos num sistema religioso viciado, isso será bem difícil de ser quebrado, principalmente nas igrejas tradicionais em que sua cultura vem da Igreja Romana, que veio dos Templos Judaizantes, em que a figura do Sacerdote e do Sumo Sacerdote eram proeminentes nessa época. 

SISTEMA RELIGIOSO E A MAÇONARIA

Sem contar o fato da Maçonaria ter influenciado os valores de Igrejas tidas como conservadoras no Brasil. As mais tradicionais, são justamente aquelas que foram plantadas pelas Lojas Maçônicas. Seus valores são praticamente os mesmos: isolar a mulher de qualquer liderança ou influência dentro de seu sistema “religioso”.

MULHER, UM SER INFERIOR

Esse é o conceito maçônico que foi assimilado pelas igrejas tradicionais que tem influenciado grandemente os líderes ditos evangélicos no Brasil.
Mas esse sistema religioso não tem relação nenhuma com a Igreja de Cristo que foi plantada pelos apóstolos, principalmente por Paulo.
As cartas paulinas traz a ideia de algo simples, de irmãos reunidos em Comunidades, compartilhando a mesma fé. A autêntica Igreja de Cristo não faz distinção de raça e nem de sexo. Não era uma instituição. Não havia cargos e nem tão pouco hierarquia.
E por falar em Igreja de Cristo, vamos voltar ao tempo do Apóstolo Paulo. 
O CARGO DE PASTOR
Outro fato que tem cegado nosso entendimento, é afirmarmos que certos líderes possuem um cargo na Igreja. Primeiramente, a ideia de Paulo nunca foi transformar a comunidade que inicialmente era conhecida como “O Caminho”, numa instituição religiosa e seus líderes em detentores de cargos eclesiásticos. Portanto:

PASTOR OU PASTORA NÃO É CARGO, MAS FUNÇÃO

“Esta afirmação é digna de confiança: se alguém deseja ser bispo, deseja uma nobre função”.

PAULO RECONHECIA O MINISTÉRIO FEMININO
ANDRÔNICO E JÚNIAS
Agora vamos ver a conclusão do trabalho de um pastor brasileiro MARCELO BERTI, especialista em manuscritos gregos, ao se referir à Andrônico e Júnias, um casal notável. Foi transcrito apenas a conclusão, já que o trabalho é bem extenso.
 “Em outras palavras, nós entendemos que o texto afirma que Andrônico e Júnia formam um casal que em função do surpreendente trabalho que realizaram se tornaram notáveis pelos apóstolos de Cristo. Godet se opões a essa conclusão, simplesmente por considerar esse título um tanto estranho.125 Entretanto, ele parece esquecer a preeminência da liderança dos doze apóstolos e o status daqueles que eram aprisionados em função do evangelho. 

Contudo, é importante dizer que nossa conclusão de forma nenhuma minimiza o papel da mulher na igreja. Aliás, em nada minimiza o lugar de Júnia ou Andrônico, pois eles são notáveis! Pelo que se sabe, esse casal estava em Cristo antes de Paulo e batalharam pelo ministério a ponto de serem encarcerados por isso. Eles são notáveis! Ninguém seria encarcerado em favor do evangelho sem que tivesse realizado um trabalho missionário exemplar.

Isso também sugere o elevado papel da mulher na igreja primitiva como propagadoras do evangelho. E mais: Júnia não estava sozinha! Febe, Priscila, Maria, Trifena, Trifosa, Pérside, a mãe de Rufino, Júlia e a irmã de Nereu. Entre elas estão mulheres consideradas cooperadoras de Paulo (v.3), mulheres dispostas a arriscar a própria vida pelo evangelho (v.4),  que recebiam em suas casas as reuniões proibidas da igreja (v.5), que trabalharam arduamente no Senhor para servir a igreja (v.6, 12). São fundamentais e necessárias para o ministério e vida da igreja.

Nossa conclusão aponta para o fato de que Paulo não apenas reconhece o ministério feminino nesse texto como ele também o elogia.
126 No antigo mundo romano dificilmente uma mulher seria encarcerada sem ter feito expressiva manifestação pública de fé. Júnia e seu marido certamente batalharam insistentemente pela fé. Certamente a fama desse casal chegou até o conhecimento dos apóstolos”.(o grifo é nosso).

RESPOSTA DIRETA

Por tudo isso, não existe uma resposta direta na Bíblia referente a pergunta que muitos anseiam uma resposta, mas podemos afirmar com segurança que o próprio Paulo reconhecia o ministério feminino, uma vez que tinha a mente de Cristo e assim procurava sempre imitá-Lo.

MAS ENTÃO PORQUE NÃO FEZ UMA CLÁUSULA EXPRESSA

Paulo não poderia jamais colocar uma cláusula dizendo: “De agora em diante até mesmo as mulheres poderão ser ordenadas isso ou aquilo”...
Como já dissemos anteriormente, Jesus e Paulo jamais quiseram mudar algo na sociedade. Todos deveriam permanecer da forma que foram chamados. Toda transformação teria que ser de dentro para fora.

PERÍODO DE TRANSIÇÃO

Também sabia que estavam enfrentando um período de transição; com o tempo, tudo se resolveria. Por isso, em suas cartas, Paulo roga aos irmãos que sejam humildes, sábios e que não tenham a mente cauterizada.
Além do mais, a estrutura da Igreja naquela época, é bem diferente do que imaginamos. Tudo era muito informal, sem vaidade, sem aparência. Pastor não era cargo e sim função. Não era para mandar, mas apenas para servir.
Não vemos nada registrado a respeito de uma solenidade para o levantamento de um obreiro ou outro cargo qualquer.
Mas não vamos entrar nesse mérito, apenas fazer uma referência quanto aos presbíteros, que era uma denominação já existente dentro da estrutura das sinagogas. Paulo não escreveu a fim de estabelecer critérios, mas apenas para que Timóteo não deixasse de corrigir os líderes que estavam criando problemas em Éfeso, no caso, Himeneu e Alexandre, o Latoeiro e Fileto. Esses deveriam ser entregues à Satanás.

UM GRANDE ESCÂNDALO

Em hipótese alguma poderia escrever e deixar isso registrado com todas as letras, pois seria o fim do Evangelho, seria uma grande afronta a classe masculina. Se hoje, em pleno século 21, muitos já se sentem afrontados só de pensar nessa hipótese, imaginem naquela época.
Seria a vulgarização do Evangelho. Algo muito comprometedor. Um grande escândalo.
Lembro-me da história do Imperador Calígula que a fim de escandalizar, humilhar, diminuir, vulgarizar o Senado do Império Romano, chegou a nomear seu cavalo “Incitatus”, como senador de Roma.
É lamentável dizer isso, mas seria exatamente dessa forma, já que a mulher naquela época nada valia, sem prestígio, sem honra, sem identidade, sem dignidade, sem misericórdia, vivendo em pleno descaso por seu marido e toda uma sociedade política e religiosa.

BÍBLIA X LIVRO COMUM

Outra coisa que precisamos entender é que a Bíblia não é um livro comum como um outro qualquer, mas se trata da Palavra de Deus, que é uma fonte inesgotável. Tem que ser buscada, analisada e acima de tudo “ter a mente de Cristo”.
Temos que nos despojar dos conceitos que aprendemos, muitos esses que foram desviados da Palavra de Deus.

JESUS ESCOLHEU SOMENTE HOMENS

Dizer que Jesus escolheu homens para seu ministério e excluiu as mulheres é dizer que Cristo aderiu ao pecado do machismo, o que seria uma blasfêmia afirmarmos essa incoerência.    Na verdade, não poderia fazer diferente, senão seria mais escândalo ainda. Além do mais, as mulheres eram propriedade de seus maridos e não de um líder religioso. Não tinham vontade própria.

VINHO NOVO E ODRE NOVO X VINHO VELHO E ODRE VELHO

Nessa última hora que vivemos temos que nos perguntar se somos vinho novo ou velho. Se estamos inseridos num odre novo ou velho. Note que todo vinho novo, está em odre novo e todo vinho velho está ou acaba voltando para o odre velho.
Não se coloca vinho novo em odre velho. Seja vinho novo e busque o odre novo.

CONCLUSÃO

Por tudo isso que esclarecemos ainda podemos achar que dentro do Plano de Deus, a mulher é inferior ao homem?

Que SUJEIÇÃO E DOMÍNIO tratado nas cartas de Paulo FAZ PARTE DE UM IDEAL DIVINO ou foi uma concessão para o contexto da Igreja Primitiva?
Que o divórcio, embora tratado no Novo Testamento, também faz parte de um ideal divino?
Mas sabemos que o mundo está fora do padrão de Deus. Que Deus deu o livre arbítrio para o homem viver como quiser, mas quando saímos do ideal de Deus, há um grande prejuízo para nossas vidas. Um preço teremos que pagar. A família sofre, os filhos, e principalmente a mulher.
Ela tem sido massacrada pela sociedade, pelos países não-cristãos e oprimida por um sistema religioso que desconhece e não cumpre o verdadeiro e principal ordenança de Deus que diz:

“E SERÃO OS DOIS UMA SÓ CARNE E AQUILO QUE DEUS UNIU, NÃO O SEPARE O HOMEM”.

 “NÃO HÁ JUDEU NEM GREGO, ESCRAVO NEM LIVRE, HOMEM NEM MULHER; POIS TODOS SÃO UM EM CRISTO JESUS”.

Última observação: veja que os dois princípios de Deus estão alinhados. O primeiro mencionado no Antigo Testamento e retificado pelo Senhor Jesus em várias ocasiões e o segundo foi escrito por Paulo aos Gálatas(3:28). Portanto não há nenhuma incoerência entre o Cristianismo e o Paulinismo.
Somente aqueles que ignoram a Palavra de Deus no seu sentido original, é que acham que Paulo diminuiu a figura da mulher e que a colocou em sujeição ao homem.

E lembre-se sempre: A LETRA MATA E A IGNORÂNCIA TAMBÉM.

Roseli Maria de Carvalho Fonseca Pereira – setembro/2018

  
  
BIBLIOGRAFIA

Bíblia TW, Almeida e Corrigida, NVI, Dicionário WINI, site BIBLIA.ORG., canal DAVAR.

Marcelo Berti

Bacharel em Missões pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida e mestre em teologia pelo Dallas Theological Seminary. Foi pastor na Igreja Batista Cidade Universitária de Campinas, estagiário do The Center for the Studies of the New Testament Manuscripts (www.csntm.org) e trabalhou com o CSNTM na Biblioteca Nacional da Grécia em Atenas estudando manuscritos gregos do Novo Testamento. Atualmente leciona grego e hebraico no SBPV e é o editor do blog Teologando (www.marceloberti.wordpress.com). 




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